quarta-feira, 10 de agosto de 2022

QI acima da média e caroço de abacate

 


Talvez algumas pessoas se identifiquem. Fiquei observando um caroço de abacate que plantei num vaso porque, mesmo dentro da fruta, ele já estava cheio de longas raízes e arrebentando de vontade de viver. Mas vendo ele agora... é só um galhinho fraco, quase nas últimas no vaso. Nem parece o mesmo caroço.

Ao lado dele, outros caroços de abacate, que não pareciam ter o mesmo vigor que ele e foram plantados na mesma época, já estão com várias folhas brilhantes e saudáveis.

O que se pode pensar disso? Sorte? Destino? Acaso? Carma? 

Será que esse caroço foi alguém que, numa vida passada, pisou na bola com tanta gente que, mesmo com tanto entusiasmo e força de vontade, foi impedido de crescer?

O caroço me fez lembrar do meu QI que é 112. Bem menor que o de grandes cientistas  que geralmente têm QI em torno de 140, mas acima da média do Brasil (em torno de 87/89) e de países como Japão e EUA (97). Parece bom né?

Mas uma vez, um rapaz uns 18 anos mais novo que eu, com QI na média, com emprego fixo há dez anos e que tinha um salário cinco vezes maior que o meu, me perguntou:

“Pra que serve um QI elevado?”

É uma pergunta interessante e que eu nunca soube responder. Vivendo em meio a tantos altos e baixos essa pergunta vive martelando na minha cabeça.

Vamos voltar para o caroço que estava prestes a ir pro lixo, mas alguém se sensibilizou com sua explícita vontade de viver e, digamos assim, o “salvou”. O caroço teve sorte... demonstrou um esforço enorme em sobreviver... ganhou um vaso com terra num lugar agradável do quintal... mas nada disso foi suficiente para ele “vencer”. 

É como se esse caroço tivesse um QI elevado, sorte e ainda ajuda dos outros para crescer – no caso eu, que o coloquei num lugar adequado para seu desenvolvimento. 

Então por que não vingou?

Parece que muitas vezes não importa o trabalho, a força de vontade, a coragem, as condições favoráveis e o esforço para vencer. Nada disso é suficiente e nem mesmo a fé, porque onde tem força de vontade e esforço tem fé. As folhas simplesmente não brotam e o frágil galhinho seca. Então pergunto: Carma ou Acaso?


Fátima ChuEcco jornlista/escritora


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