domingo, 5 de julho de 2020

Você faz ideia de como Parábola dos Talentos se aplica a nossa vida?



Está na Bíblia (Mateus 25:14 a 30) e no Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec. Parece uma história com mensagens bem restritas à época em que foi escrita, mas se a gente parar para pensar, na verdade tem a ver até com a vida corporativa dos dias de hoje, passados mais de 2 mil anos. E, além disso, pode ser uma boa sugestão para nossa vida e conduta profissional.

Vou comentar conforme entendi, mas na Internet tem muitas outras reflexões a respeito. Reflita também e, se quiser, poste nos comentários seu entendimento do tema.

Parábola
Um Senhor sai de viagem e deixa seus 3 funcionários encarregados de cuidar de seus “talentos” que, na época, eram peças de ouro e prata, como moedas. Um funcionário ficou com 5 talentos, outro com 2 e outro com um. Os dois primeiros investiram os talentos e dobraram o valor. O terceiro, que tinha só um talento, enterrou-o.
Na volta o Senhor ficou feliz com o funcionário que transformou 5 talentos em 10 e com o que tinha dobrado 2 talentos em 4. Mas chamou de inútil e preguiçoso aquele que tinha lhe devolvido o único talento do qual ficara encarregado. Condenou o homem as trevas, pegou seu talento e deu ao funcionário que estava com 10 talentos.

Parece justo? E o perdão? E a segunda chance? - podemos nos perguntar

Todo muito tem algum "talento" para doar. Foto Kimthecoach/Pixabay

Vamos transportar a cena para o cenário de negócios de hoje. Vamos imaginar que os dois funcionários que multiplicaram os talentos (dinheiro nos tempos atuais) foram “promovidos”, ao passo que aquele que não investiu seu único talento (a pequena quantia que recebeu) foi sumariamente demitido.

Vamos também analisar a postura do rapaz demitido. Ele errou, não investiu, mas não foi por mal e sim por medo de arriscar e perder o pouco que tinha.

Agora vamos analisar a postura do “chefe” da empresa. Ele contratou 3 pessoas para fazer seus “talentos” se multiplicarem. Esses 3 homens foram escolhidos porque de alguma maneira demonstraram habilidade para fazer o dinheiro da empresa crescer. Dois conseguiram isso e o terceiro apenas guardou o dinheiro. 

Bem... o chefe não precisa de um funcionário que “guarde” o dinheiro porque isso ele mesmo pode fazer ou até enfiar num cofre.

Todo mundo sempre tem algum "talento" para doar. Foto Janaaa/Pixabay

Do ponto de vista espiritual ou moral poderíamos pensar assim: mas ele merecia uma segunda chance agora que viu como deve proceder. Certamente ele aprendeu.

Só que o “chefe” da empresa não é Deus e não está ali para “ensinar” a trabalhar. Não estamos falando de um programa de estagiários onde é permitido aprender com os próprios erros. Estamos falando de 3 homens selecionados para multiplicar os talentos de uma empresa e que, portanto, devem estar preparados para tal função. A demissão é óbvia diante de um funcionário que não cumpriu com a meta, que não satisfez as expectativas do chefe.

Esse é nosso mundo. Então essa é a reflexão sobre o ponto de vista material e atual.

Agora vamos mergulhar no mundo espiritual.

A gente vem para essa vida com alguns “talentos” no duplo sentido da palavra: Talento no sentido de habilidades natas e Talento representando condição social (pobre, rico etc). Nessa grande empresa em que fomos colocados, que é a Terra, nosso dever é desenvolver e multiplicar nossos talentos para o bem dos outros e de todo o planeta.

A evolução espiritual depende disso... dessa disposição em desenvolver as habilidades com as quais já nascemos ou que tivemos oportunidade de desenvolver ao longo dos anos e multiplicar isso tornando esses “talentos” ferramentas de progresso também para os outros e para todo o planeta (recursos naturais, animais etc).

Os que conseguem multiplicar são promovidos a uma etapa mais serena nessa vida ou nas próximas (para quem acredita em reencarnação como eu). Os que “guardam” seus talentos estacionam na evolução e não contribuem para o progresso coletivo.

E como as pessoas “guardam” talentos?

Não fazendo uso do que “recebeu” (abafando uma habilidade por exemplo) ou só  utilizando seus talentos para benefício próprio - o que seria um “mau uso” de seus talentos... ou seja, não repartindo ou compartilhando com os outros.

Doar é regra básica da evolução espiritual: doa-se habilidades, dinheiro, conhecimento, palavras, bons pensamentos, ombro amigo... do pobre ao mais rico, todo mundo tem o que doar. Doar é o mesmo que multiplicar talentos.

Mesmo com bolsos vazios, todo mundo tem sempre algo para doar. Foto Tumisu/Pixabay

Mas o que acontece com aqueles que enterram os talentos?

São jogados às trevas e punidos (como na parábola)? Não têm mais chance de acertar?

Nada disso porque Deus, ou como queiram chamar uma essência divina ou uma matriz que gera e conecta tudo que vive, oferece sempre chances de evolução... uma atrás da outra.

Se você guarda talentos numa empresa é demitido porque não correspondeu as expectativas de quem o contratou (essa é resposta do mundo material/físico), mas do ponto de vista espiritual pode ter certeza que haverá outras chances de acertar... de perder o medo de arriscar... e principalmente, de doar. Até porque... lembre-se... nem sempre não responder às expectativas é necessariamente não estar apto para um determinado trabalho ou função... às vezes simplesmente vc não executa do jeito que gostariam.

Só que é preciso desapegar do que passou... e se preparar para o que virá daqui pra frente guardando consigo apenas as lições aprendidas.

Todo mundo sempre tem algum "talento" para doar. Foto Gerd Altmann/Pixabay

Agora vamos voltar à Parábola dos Talentos e imaginar o que pode ter acontecido com o rapaz demitido.

Ele poderia se revoltar e botar fogo na empresa (o que poderia gerar danos eternos a sua reputação profissional – talvez até ser preso). 

Poderia sobreviver o resto da vida com uma mágoa terrível no peito achando que aquela tinha sido sua única oportunidade de crescimento.

Mas ele também poderia buscar um novo trabalho igual ou diferente daquele e aplicar a lição de multiplicar os talentos do seu jeito ou de um novo jeito aprendido.

Vale ressaltar que, por mais que a intenção dele tenha sido boa e que sua atitude foi dominada justamente pelo medo de errar, ele errou (pelo menos diante dos olhos daquele "chefe")... mas erros a gente deixa pra trás pra poder pensar nos próximos acertos.

O pensamento “se eu tivesse feito isso ou aquilo...” não leva a lugar nenhum porque não se muda o passado. A gente tem que pensar no que dá pra fazer hoje... agora... com a consciência de que virão novos erros porque ninguém é perfeito ou infalível... ninguém... mas também virão os acertos.... e pra acertar é preciso tentar... procurando deixar essa vida com mais talentos do que a gente tinha quando aqui chegou.... obviamente talentos morais e espirituais... que são as moedas da evolução.

Foto de abertura Gerd Altmann/Pixabay

Fátima ChuEcco
Jornalista/Escritora

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