quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Gatinho Filou andou mesmo 250 km ou pegou carona no motor de um veículo?


Será que Filou, estando perdido numa estrada, em ponto onde tradicionalmente motoristas fazem uma pausa, não entrou no motor de veículo que seguiu na mesma direção que seus tutores e que, por sorte, o deixou em Homps, vilarejo bem próximo a Olonzac, na França, onde ele mora?

Prefiro acreditar que Filou intuiu que um determinado carro ia na direção da sua casa do que ele mesmo ter andado 250 km com suas patas. Os gatos têm um sexto sentido apurado. São muito intuitivos.

Embora a versão do gatinho atravessar uma longa distância tenha uma narrativa cativante, não é o que costuma ocorrer na realidade. Estudo publicado na Scientific Reports, importante revista focada em pesquisas de comportamento animal, mostra que gatos domésticos, quando fogem, costumam ficar por perto, em geral, até 50 metros de suas casas, podendo chegar até 200 metros com o passar dos dias.

É por isso que a maioria dos gatos que vivem exclusivamente dentro de casas, quando se perdem, são achados, geralmente, em imóveis vizinhos. Já os gatos de vida livre (criados soltos), diz a pesquisa, podem se afastar mais, porém, não andam grandes distâncias. 

Os cães sim são andarilhos por natureza e podem atravessar vários quilômetros por dia dependendo do porte físico e condição de saúde. Os gatos tendem a buscar abrigo ou esconderijo o mais próximo possível da onde escapam.

O caso

Filou virou notícia em todo o mundo depois que se divulgou que ele teria percorrido 250 km (a quatro patas) depois de escapar de seus tutores durante uma viagem, quando eles voltavam da Espanha para Olonzac, na França, onde vivem. Ele teria saltado pela janela do motorhome numa parada que o casal fez no caminho.

Cinco meses depois Filou foi resgatado a meio quilômetro de distância de sua casa e graças ao microchip teve sua família localizada. Magro, abatido, desidratado e com as patinhas esfoladas, o veredicto "mais emocional que técnico" apontou que o gatinho teria cruzado centenas de quilômetros sozinho utilizando-se de seu senso de direção.

O perigo de uma história como a de Filou

Embora histórias como a de Filou encham de esperança os corações de quem está com uma gatinho perdido, pode também gerar um efeito negativo fazendo os tutores acreditarem que seus gatinhos voltarão para casa sozinhos. Isso pode desmotivar buscas intensas nos arredores que são cruciais para se encontrar um gato perdido.

Em meu trabalho como consultora sobre gatos perdidos vejo muita resistência em algumas pessoas em acreditar que o gato está preso ou escondido muito perto de casa ou da onde ele escapou. E muitos bichinhos morrem por conta disso. 

Já registrei inúmeros casos, com depoimentos e fotos no blog da BuscaCats, de pessoas que só acharam seus gatos porque se dedicaram no entorno da onde o gato se perdeu. Elas se embrenharam em buscas diárias ao invés de procurarem longe ou de cruzarem os braços achando que o gato voltaria sozinho ou que estaria sendo cuidado por alguém.

Quem ama, procura.

Também registrei alguns casos de gatos encontrados, por exemplo, em outro bairro, mas que foram parar lá no motor de um carro. E de outros que até voltaram sozinhos, mas porque estiveram acidentalmente presos em algum local próximo que, por sorte, foi reaberto e deu a eles a chance de voltarem para casa.

Que a história de Filou inspire os tutores a acreditarem num reencontro com seus gatos perdidos, mas nunca os faça desistirem de procurar seus gatinhos na vizinhança achando que voltarão sozinhos.

Fátima ChuEcco - jornalista ambientalista e da causa animal, escritora e fundadora da editora www.miaubookecia.com e consultora da @buscacats (única consultoria especializada em gatos perdidos do Brasil) http://buscacats.blogspot.com




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